O escárnio à fé cristã, protagonizado
pelo Grupo ‘Porta dos Fundos’ com anuência da Netflix foi alvo de uma nota de
repúdio de uma associação de juristas islâmicos. Segundo a tradição do
islamismo, Jesus é tratado na religião como um profeta, e por isso os muçulmanos
processarão os humoristas.
A nota, assinada por Girrad Mahmoud
Sammour, presidente da Associação Nacional dos Juristas Islâmicos (ANAJI),
destaca que a legislação nacional protege e prega o respeito ao Sagrado das
diferentes religiões, e que a liberdade de expressão não deve se sobrepor a
esse conceito.
“É com imenso pesar que a ANAJI –
Associação Nacional dos Juristas Islâmicos e toda a comunidade muçulmana, repudia
a atitude do canal PORTA DOS FUNDOS e da NETFLIX, que em vídeo
deturpa a imagem do profeta Jesus e sua mãe Maria (que a paz de Deus esteja com
eles)”, introduz o comunicado.
“O artigo 5º, inciso VI, da
Constituição Brasileira, deixa bem claro a proteção e respeito ao Sagrado. A
liberdade de opinião e de expressão, também garantida pela Constituição, tem
caráter relativo, podendo ser exercido tão somente dentro dos limites impostos
pelo ordenamento jurídico, de maneira que não haja o desrespeito e a fomentação
de aversões ou agressões a grupos religiosos, caso contrário implica na
tipificação de crime (Lei 9.459, de 1997 e artigos 140, 208 do Código Penal)”,
referencia a nota.
Sammour destaca que a legislação
vigente no Brasil impede “que uma pessoa intolerante possa agredir qualquer
outra, motivada apenas pela sua ignorância e falta de compreensão básica de
respeitar a religião alheia”.
“O desrespeito a qualquer profeta
atinge nós muçulmanos e assim vem descrito no Alcorão sobre o grande profeta
Jesus e sua mãe Maria (que a paz de Deus esteja com eles): ‘Maria, Deus vos dá
boas notícias de uma palavra da parte de Aquele cujo nome será o Messias,
Jesus, filho de Maria, honrado neste mundo e no outro e um daqueles que estão
perto de Deus. Desde o seu berço e na maturidade, e ele será dos justos. Ela
disse: ‘Meu Senhor! Como terei um filho quando nenhum homem me tocar?’ Ele
disse: ‘Mesmo assim, Deus cria o que Ele quer. Quando Ele decreta uma coisa,
Ele diz a ela: ‘Seja!’ e isso é’” (Alcorão 3:45-47).
A ANAJI manifesta “solidariedade aos
nossos irmãos cristãos” já que a fé islâmica, segundo a nota, é baseada na
crença de que “Deus diz no Alcorão para nos auxiliarmos na virtude e piedade e
não no pecado e hostilidade (Alcorão 5:02)”.
“Pedimos a todos os cidadãos de bem
que denunciem os vídeos, independente da religião, pois a liberdade deve ser
para todos sem exceção, pois amanhã os injustiçados seremos nós. Assim
estaremos buscando os meios judiciais cabíveis para coibir tamanho desrespeito,
nos unindo contra quaisquer atos que não respeite a liberdade religiosa e
tolerância de todas as religiões. Paz e respeito é o que desejamos a todos!”,
conclui a nota.

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